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Testei: AirPods Pro dá mais conforto, melhora microfone e isola até turbina

Guilherme Rambo

14/11/2019 04h00

Os AirPods Pro, lançados pela Apple há pouco mais de duas semanas, deixaram muitos em dúvida. Quão bom pode ser o cancelamento de ruído de um fone tão pequeno? A qualidade de áudio é melhor? A bateria dura? Vale o preço que custa? Para responder muitas dessas – e outras – perguntas, estive usando os novos fones da Apple por alguns dias, em diversas situações diferentes.

Design e conforto

Os novos AirPods Pro lembram bastante os AirPods tradicionais, porém a parte de cima tem um formato mais arredondado e a haste – aquela que muitos acharam engraçada quando a primeira versão foi lançada – é mais curta.

Uma preocupação que eu tinha com relação aos AirPods Pro era o quão confortáveis eles seriam para usar por períodos longos de tempo, já que eu costumo usar meus AirPods para ouvir podcasts por horas seguidas. Quando uso outros fones intra-auriculares, como os Powerbeats Pro, começo a sentir dor após cerca de uma hora de uso.

Felizmente, isso não ocorre com os AirPods Pro. Eles possuem um canal que permite uma equalização da pressão entre o lado de fora e o lado de dentro do seu ouvido, reduzindo significativamente a sensação de "ouvido fechado" causada por outros fones do tipo.

As pontas de silicone também são menos rígidas e ficam apenas na entrada do ouvido, o que causa menos incômodo. Tudo isso significa que os AirPods Pro são bons fones intra-auriculares para se usar por longos períodos de tempo, inclusive deitado (sim, eu dormi de AirPods Pro, pela ciência).

Qualidade de áudio

Vale começar esta parte deixando claro que não sou um audiófilo. Eu aprecio música, entendo os aspectos técnicos que fazem algo soar bom ou ruim, mas não estou sempre à procura da maior fidelidade de áudio possível. Por exemplo, não me incomodam os graves acentuados dos fones de ouvido da Beats, algo que muitos não gostam.

Dito isso, os AirPods Pro não possuem os graves acentuados dos fones da Beats. Embora a marca pertença à Apple, existe uma clara distinção entre a assinatura sonora dos seus produtos. Por serem intra-auriculares, os AirPods Pro alcançam graves mais "redondos" que os dos AirPods tradicionais. Eu descreveria o som deles como "menos metálico".

Se o que você espera nos novos AirPods seja uma melhoria grande na qualidade de áudio, talvez eles não sejam os fones ideais para você. Embora ela seja sim melhor que dos outros AirPods, essa diferença sozinha não justificaria o investimento para mim.

Algo que melhorou muito nos AirPods Pro com relação ao áudio é a qualidade dos microfones. Se você tiver um amigo que possuí os AirPods Pro, peça para mandar um áudio via WhatsApp e repare em quão mais claro ele é quando comparado aos AirPods anteriores. É como se os AirPods tradicionais fossem o som de alguém falando no telefone, enquanto os AirPods Pro fossem alguém falando num microfone "de verdade".

Cancelamento de ruído

É aqui que os AirPods Pro realmente fazem a diferença. Minhas experiências anteriores com cancelamento de ruído foram com fones da Bose (QC) e da Beats (Studio), ambos muito bons. Quando a Apple anunciou os AirPods Pro, a minha expectativa (e de muitos outros) era de que não seriam comparáveis a fones de ouvido maiores ou mais caros. Estávamos enganados.

Não tem outra forma de descrever o cancelamento de ruído dos AirPods Pro a não ser "mágico". Fiz o teste em diversos ambientes, desde um quarto com ar-condicionado ligado até um Embraer 195 durante a decolagem. Ruídos contínuos e não muito altos como o ar-condicionado desaparecem completamente. Outros ruídos mais altos como os motores do avião na decolagem são reduzidos significativamente.

Aqui vale detalhar a minha experiência em voo. Como citei acima, durante a decolagem – quando os motores estão acelerando – ainda é possível ouvi-los mesmo com o cancelamento de ruído ativo, embora o som seja reduzido drasticamente. Essa é a experiência sem música tocando, com música tocando e o cancelamento de ruído ligado, o ruído desaparece.

Se até mesmo durante a decolagem o cancelamento de ruído funciona bem, em voo de cruzeiro a experiência é ainda melhor. Além disso, por conta do seu design compacto e conforto, é possível dormir no avião muito mais facilmente com os AirPods Pro, especialmente comparando com o Beats Studio.

O problema dos fones maiores é que, ao virar a cabeça para ficar numa posição mais confortável, muitas vezes o corpo do fone encosta na poltrona de modo que a vibração é transmitida para dentro dele, prejudicando o cancelamento de ruído.

A equalização de pressão que mencionei anteriormente também ajuda durante o voo, garantindo que a sensação de "ouvido fechado" comum durante voos não seja agravada pelo uso dos fones.

Modo Ambiente

Assim como os Beats Solo Pro, os AirPods Pro também contam com Modo Ambiente. Quando ativado, ele reverte o cancelamento de ruído, mandando os sons de fora para dentro dos fones.

Por serem intra-auriculares, os AirPods Pro já isolam naturalmente o som exterior, mesmo com cancelamento de ruído desligado. Isso significa que, sem o Modo Ambiente, é desconfortável conversar ou tentar ouvir alguém com eles. O Modo Ambiente corrige o problema utilizando os mesmos microfones que são usados para o cancelamento de ruído, mas fazendo o processo inverso.

Para alternar entre cancelamento de ruído e Modo Ambiente, basta pressionar a haste dos AirPods Pro por alguns instantes, um aviso sonoro indica a mudança. O novo modo é muito útil em situações nas quais não é prático tirar os fones, mas quando é necessário prestar atenção nos seus arredores.

Bateria e estojo

A Apple promete até quatro horas e meia de uso contínuo com cancelamento de ruído ligado para os AirPods Pro. Pela minha experiência, eles definitivamente atingem esse tempo.

Outro detalhe interessante é que com apenas cinco minutos de recarga no estojo, é possível obter uma hora de uso dos AirPods Pro. Essa recarga rápida com o estojo é um recurso extremamente útil para situações nas quais não da para esperar uma carga completa.

Sobre o estojo, algumas pessoas ficaram preocupadas com o tamanho dele, que é um pouquinho maior que dos AirPods tradicionais. Eu diria que não deve ser uma preocupação, consigo carregar o estojo nos mesmos bolsos nos quais carregava o estojo dos AirPods tradicionais, sem nenhum problema.

Tecnologia

Os AirPods Pro carregam uma quantidade imensa de tecnologia para um dispositivo tão pequeno. Uma delas é a equalização adaptativa, que faz algo similar ao que os HomePods fazem num ambiente, porém dentro do seu ouvido.

Com microfones internos, os AirPods Pro detectam os reflexos do áudio dentro do ouvido e ajustam a equalização para corrigir diferenças no áudio causadas pelo formato do ouvido. O mesmo processo é utilizado para eliminar sons indesejáveis que tenham escapado do cancelamento de ruído. Todos esses processos são realizados 200 vezes por segundo.

Além disso, eles contam com todas as outras vantagens de outros fones com o chip H1 da Apple, como a troca rápida entre um dispositivo e outro, conexão rápida e suporte a "E aí, Siri".

Conclusão

Quando eu penso no tipo de experiência que espero de um produto da Apple, o que mais se aproxima do ideal atualmente são os AirPods Pro. A atenção com os detalhes, desde a forma como os fones se encaixam no estojo, até a forma como o emparelhamento é feito com outros dispositivos, torna a experiência mágica.

Mas a pergunta fica: vale a pena gastar os R$ 2.024,10 que a Apple pede por eles no Brasil? Na minha opinião, não. Mas se você tiver a oportunidade de importá-los, os US$ 249 cobrados nos EUA – mesmo convertidos para reais – definitivamente valem o investimento.

Sobre o autor

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

Sobre o blog

Dos segredos escondidos nos códigos da Apple às tendências do mundo da tecnologia, o blog Entre Linhas aborda semanalmente os temas mais interessantes e atuais do mercado tecnológico sob o ponto de vista do programador Guilherme Rambo.

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