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Só deu pau! Sistema operacional cheio de bugs faz Apple repensar processos

Guilherme Rambo

05/12/2019 04h00

Reprodução

O lançamento do iOS 13 foi uma montanha-russa tanto para os usuários quanto para os desenvolvedores de aplicativos e a própria Apple. Por um lado, o sistema trouxe diversas melhorias bem-vindas como o tão esperado modo escuro, por outro lado, também trouxe inúmeros bugs, prejudicando a experiência dos usuários e fazendo com que a Apple tivesse que correr para lançar atualizações muito rapidamente. Desde o lançamento do iOS 13, já foram lançadas 8 atualizações, contra apenas 2 se considerarmos o mesmo período do ano passado, quando o iOS 12 foi lançado.

Recentemente, Mark Gurman afirmou em artigo na Bloomberg que a empresa estaria trabalhando em uma forma de melhorar seus processos de desenvolvimento para o iOS 14, no próximo ano.

Segundo Gurman, a estratégia seria desligar funcionalidades novas do sistema nas versões de teste internas para que fosse possível aos engenheiros e equipe de qualidade da empresa usarem essas versões no dia a dia, de forma a não prejudicar os testes do novo sistema com funcionalidades semi-acabadas.

Essa estratégia aparentemente resolveria um problema que ocorreu durante o desenvolvimento do iOS 13, onde suas versões de teste eram tão ruins que as equipes responsáveis pelos testes não conseguiam realizá-los, perdendo assim a noção de quais recursos estariam funcionando corretamente e quais precisavam de ajustes e melhorias.

O mesmo seria aplicado a todos os demais sistemas operacionais da Apple, incluindo o watchOS, tvOS e macOS, que também apresentou dificuldades este ano com o lançamento do Catalina.

Não é a primeira vez que ficamos sabendo de mudanças nos processos da Apple por conta de softwares problemáticos. O iOS 12 ficou conhecido como uma versão muito boa do sistema, após rumores indicarem que a empresa teria adiado várias novidades para focar em performance e correções de bugs.

Vai dar certo?

Para quem não está envolvido diariamente com desenvolvimento de software, o processo inteiro pode parecer bastante mágico. Se alguma funcionalidade não está se comportando como deveria, basta removê-la que todos os problemas causados por ela desaparecem.

Infelizmente, na realidade não é bem assim que acontece. Quando novos recursos são desenvolvidos em um programa de computador – ou sistema operacional – o recurso que vemos na tela é apenas uma manifestação de mudanças que muitas vezes vão muito além do que utilizamos.

Uma funcionalidade qualquer pode ter envolvido alterações profundas em outros sistemas, que são muito difíceis de simplesmente "desligar". Muitos dos bugs vistos no iOS 13 – e outros sistemas este ano – foram causados por esse tipo de mudança, não pelo fato de uma nova funcionalidade estar disponível.

É verdade que, se a ideia é melhorar a vida das equipes de teste, essa estratégia pode sim trazer algum resultado, o que no longo prazo poderá talvez resultar em sistemas mais estáveis para os usuários. Mas eu não esperaria melhorias significativas para os usuários imediatamente como resultado dessa mudança nos processos de desenvolvimento.

Sobre o autor

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

Sobre o blog

Dos segredos escondidos nos códigos da Apple às tendências do mundo da tecnologia, o blog Entre Linhas aborda semanalmente os temas mais interessantes e atuais do mercado tecnológico sob o ponto de vista do programador Guilherme Rambo.

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